Leia mais

Há outros artigos e livros de Marcos e Suely Inhauser à sua disposição no site www.pastoralia.com.br . Vá até lá e confira
Coinfira também dicas de economia em www.ondecharoque.com.br

terça-feira, 31 de março de 2009

A MALA ME CARACTERIZA

Certa vez uma psicóloga me pediu que algo que me identificaria. Fiquei na dúvida entre a sala de aula e a caneta, por me achar professor e gostar de escrever. Hoje eu ficaria na dúvida entre as mesmas coisas mais a mala de viagem. Parece que não nasci com pés, mas com rodas. Minha vida foi viajar. Já rodei um bocado.
Na semana passada, o que nunca sonhei na vida, estive em Shanghai e mais uma vez a monumentalidade das construções chinesas me deixou boquiaberto. Eu havia acabado de assistir a um documentário sobre o Edifício Torre Mayor na cidade do México e a grandiosidade dele, suas características antissísmicas e o fato de ser único na América Latina. Em Shanghai deve haver uns 50 deles. A arquitetura dos novos edifícios é arrojada, moderna e busca privilegiar conceitos ecológicos. O aeroporto de Pudong (o mais novo) tem 233 portas de embarque. Vi árvores sendo plantadas aos montes por todas as partes, assim como vi a poluição terrível que cobre a cidade e um trânsito simplesmente caótico.
Por todas as ruas que passei (e não foram poucas) havia obras de remodelação, ampliação, ajardinamento. Da janela do hotel contei ao menos 8 áreas em construção. Quando subi na torre de televisão, cartão postal da cidade que equivale a um prédio de uns 150 andares, o que vi lá em baixo foi um grande canteiro de obras.
Tal se deve a duas razões: Shanghai hospedará em 2010 a maior Convenção Internacional de Comércio e Negócios e a decisão de transformar a cidade no maior porto do mundo. Para se ter uma idéia, eles construíram um em pleno mar, com 25 quilômetros de extensão, usando umas pequenas ilhas e aterrando os espaços entre elas. A cidade é ainda a capital financeira da China, sede da maior parte das indústrias e onde as multinacionais tem seus escritórios. Simploriamente poderia dizer que Beijing é a capital política, mas Shanghai é a capital financeira e dos negócios.
Ao ver estas coisas e também saber das condições de trabalho da maioria dos chineses, fico a pensar se é certa a afirmação de que o Brasil é o campeão mundial das desigualdades sociais. Por outro lado, se só um por cento da população é rica, há na China um Brasil inteiro de milionários. Acima de tudo, há que se considerar que esta é uma sociedade que não privilegia o consumo, mas a poupança. Daí dá para entender porque eles tem mais de um trilhão de dólares aplicados nos Estados Unidos. E nosso Lula todo lampeiro se gabando de ter 200 bilhões em caixa. Isto talvez explique porque a China deve crescer só sete por cento em 2009 e o Brasil do Lula vai ficar patinando.

segunda-feira, 23 de março de 2009

TRÊS BEIJINGS

Esta é a minha terceira vez em Beijing. Na primeira delas, há quase oito anos, fiquei impressionado com a imponência das coisas. Tudo é muito grande, muito majestoso. Visitei a Grande Muralha, a Cidade Proibida, o Templo da Paz Celestial, a praça da Paz Celestial entre muitas outras coisas entre shopping centers e centros de comércio popular. A largura da avenida central da cidade foi algo que me deixou boquiaberto. Tudo me pareceu tão gigantesco, como não havia visto em nenhum outro lugar que eu tivesse visitado, exceto o Palácio de Versalhes.
Na minha segunda viagem fiquei mais tempo dentro de casa por causa do inverno e porque tínhamos vindo visitar o neto que tinha alguns meses de vida. Mesmo assim, em uma noite saímos para jantar e entramos em uma garagem no subsolo de um centro comercial e hotel que me pareceu um labirinto.
Nesta terceira vez fiquei assustado com o tamanho do novo aeroporto, com o requinte das suas dependências, com a quantidade de novas construções no entorno de onde minha filha mora, com a quantidade de coisa nova no centro da cidade, as novas avenidas e estradas, que me pareceu uma nova Beijing.
Em conversas com minha filha e amigos brasileiros que aqui vivem, bem assim alguns de outras nacionalidades, eles são unânimes em afirmar o ritmo acelerado das construções e mudanças que ocorreram para as Olimpíadas e que se estende até hoje. Aqui perto de onde estou, construíram um Centro de Convenções que muito seguramente é o maior do mundo.
Quando no sábado saímos para um passeio fora de Beijing, fiquei surpreendido pela quantidade de áreas de reflorestamento ao redor da cidade e meu genro me explicava a prioridade que se está dando para dar à cidade árvores e um cinturão verde como forma de minimizar a poluição (esta também monumental) e minorar as tempestades de areia que ocorrem em certo período do ano.
Nestas três visitas, todas feitas em período de inverno (ou final dele como esta última), não pude ver o verde que há em Beijing, especialmente com a massiva plantação de árvores para as Olimpíadas. Mas acreditando no que me dizem os que por aqui vivem, acho que terei que voltar na primavera ou outono para ver uma quarta Beijing, mais bela, mais verde e com menos céu cinza.
Uma coisa é comum às três visitas: ainda que me digam que este é um país comunista, não consigo acreditar porque tudo por aqui me cheira puro capitalismo. A quantidade de coisas com jeito ocidental, fastfood, hotéis de cadeias internacionais, em certos momentos me parece que estou em uma cidade americana ou européia.

Marcos Inhauser

domingo, 22 de março de 2009

EU TENHO O PODER

Causou-me espécie a atitude do “pastor” que atentou contra a liberdade de imprensa quando do episódio da queda do teto na Universal de Campinas. Havia decidido escrever sobre isto quando recebi da amiga, historiadora e professora Rute Salviano as seguintes reflexões:
“O ... ocorrido com o repórter no templo da Igreja Universal é ... amostra de como o poder que a si mesmo se outorgam diversos pastores ... tem prejudicado a igreja cristã e a comunidade em geral. O que ocorreu refletiu ... devido ao envolvimento ... da imprensa, mas imaginem, no dia a dia, dentro daquele templo como aquele líder arrogante deve liderar os membros de sua igreja.
O rebanho de Deus ... deve ser pastoreado sem domínio, mas com serviço e exemplo ... Acontece que os pastores que deveriam servir seus liderados acreditam que devem dominá-los e governar sobre eles. Alguns pastores ... declaram ter recebido um chamado divino de pastorear a igreja de Cristo e sabem que devem conduzi-la até o noivo. Sabem que a Igreja pertence a Cristo, que é seu Senhor. ... Porém, rapidamente de servos passam a senhores, assenhoreiam-se da noiva, dominam a igreja e acreditam que são os verdadeiros donos do rebanho e, por conseguinte, controlam a tudo e a todos dentro das quatro paredes do templo.
Membros ... são afastados de seus cargos ou por fazerem sombra ao pastor ou por mero capricho e interesse pessoal. Eles sempre têm a última palavra e a bela democracia cristã transforma-se em ditadura. Neste orgulho, nesta prepotência e arrogância crêem equivocadamente que estão servindo a Deus, mas, infelizmente servem só a eles mesmos e contam-se aos milhares os decepcionados com este tipo de liderança, totalmente anti-cristã, que já saíram das igrejas evangélicas.”
A estas considerações eu acrescentaria que quem crê que tem o poder de dar ordens a Deus, orando com atrevimento e exigindo a benção da prosperidade, se julga também no direito e com o poder de cercear a informação, dar ordens a Deus e todo o mundo, impedir o trabalho investigatório. No caso do templo da Renascer, sabe-se hoje que foi a bancada evangélica quem pressionou para que os templos não fossem vistoriados. No caso de Campinas, até hoje não entendo como se burlou a lei que impede a construção de templos, escola e afins a menos de 500 metros de posto de gasolina. A esta altura uma pergunta não quer calar: o prédio tem o habite-se?
Marcos Inhauser