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quinta-feira, 16 de junho de 2016

SEMELHANÇAS NA INCOMPETÊNCIA

Os dois nomes começam com a mesma letra.
Ambos têm cinco letras em seus nomes e três delas são consoantes.
Ambos têm duas vogais e terminam seus nomes com a mesma.
Ambos vêm do sul do país. Ambos começaram suas carreiras por cima e tiveram suas funções por apadrinhamento. Tiveram uma mão milagrosa para adentrar ao mundo dos “iluminados”. Os dois tem seus assessores próximos com nomes que lembram tempero: Cebola e Mantega. Ambos têm seus defensores gratuitos: Gilmar Rinaldi e José Eduardo Cardoso.
Ambos têm a estranha capacidade de sempre culpar os outros pelos seus infortúnios, de nunca reconhecer seus erros, de não se enxergar. No que pese o descalabro de suas atuações, ainda vendem a imagem de que tudo foi maravilhoso e que querem “bola prá frente”. Ela quer voltar para fazer o mesmo que fazia. Ele quer continuar para fazer o mesmo que sempre fez.
Quando falam e discursam é necessário um intérprete para entender. Prolixos e com lógica questionável, deixam os ouvintes aturdidos e se perguntando: o que foi que queriam dizer?
Ambos são avessos a qualquer mudança. Repetem ad nauseam as mesmas frases e conceitos e, diante de uma situação que exige decisão ousada, ficam catatônicos. Ela, diante da possibilidade concreta de ser afastada, ao invés de tomar decisões que mudassem o curso dos fatos, preferiu se colocar de vítima, chamando os que pediam mudanças (o que ela é incapaz de fazer) de golpistas. Ele, diante da derrota iminente, trocou um jogador leve e talvez o mais atuante em campo, por um pesado e que não ficava dentro da área como referência para os lançamentos. Tendo ainda duas substituições para fazer, olhava para o campo com cara de espanto, paralisado. Deixou de orientar a equipe, não fez o que dele se esperava e criticou o juiz por validar um gol irregular.
Ela estudou economia. Quem estuda economia não é garantia que venha a ser economista, assim como quem estuda filosofia ou teologia não é garantia de que venha a ser filósofo ou teólogo. Há uma distância entre estudar a matéria e ser economista, filósofo ou teólogo. Posso saber de economia, filosofia ou teologia e nada mais que isto. Ela não percebeu isto e se arvorou economista e na sua gestão produziu um déficit histórico, um desemprego na casa dos quase 12 milhões e a proliferação de “vende-se” ou “aluga-se” em função dos milhões de negócios fechados.
Jogar futebol não credencia a ser técnico de futebol. Uma coisa é jogar, outra é ser líder de uma equipe que coloca as peças certas no lugar certo. Uma coisa é fazer um lançamento em profundidade, outra é fazer uma substituição. Nem todos os bons jogadores são técnicos e há os que, tendo sido bons jogadores, se aventuraram na carreira e não tiveram sucesso ou tiveram que abandoná-la. Aí estão os exemplos de Zetti, Mario Sérgio, Roque Júnior, entre outros. Ele conseguiu dar ao Brasil a segunda maior vergonha no futebol: ser eliminado na primeira fase da Copa América.
Um estudou economia e não é economista. Outro jogou futebol e não é técnico. Os dois são incompetentes nas “profissões” que abraçaram. Ambos são incompetentes. Nos dois casos, quem pago o pato é o povo: com o desemprego, inflação alta, falta de perspectiva e vergonha de, sendo pentacampeão mundial, amargar um 7 a 1 e a gora a eliminação precoce.

Marcos Inhauser

quarta-feira, 8 de junho de 2016

JOÃOZINHO FIM-DO-MUNDO

Acordei dias destes lembrando dele. Eu o conheci há mais de 35 anos. Mais velho que eu uns 25 ou trinta anos, era membro de uma igreja da mesma denominação que eu. Ele era de estatura baixa, do tipo de pessoa que nasceu ligado em 220. Falante, com alto grau de extroversão, trabalhava em uma grande empresa “fazendo os serviços de rua”, que era como ele definia seu trabalho. Eu era pastor na cidade e o encontrava ao com regularidade na agência do Banco do Brasil. A cada encontro ele vinha me perguntar algo e afirmava: “é o fim-do-mundo, pastor”.
Esta sua obsessão pelos temas apocalípticos rendeu-lhe a alcunha de “Joãozinho fim-do-mundo” e como tal era conhecido na cidade. Eu nunca soube de onde surgiu esta sua obsessão/compulsão. O certo é que o tema o fascinava. Tinha um conhecimento superficial do Apocalipse, tratava-o e interpretava-o ao sabor dos fatos e cada novo evento de alguma relevância, tanto no cenário nacional como internacional, ele via como “sinal do fim dos tempos”.
Lembro-me da primeira vez. A eleição presidencial dos Estados Unidos de 1980 disputada entre o presidente democrata em exercício, Jimmy Carter, e seu adversário republicano, Ronald Reagan, com a crise dos reféns no Irã de pano de fundo. Para ele era sinal dos tempos que um “evangélico” (Jimmy Carter) tivesse perdido por causa do fiasco no resgate dos reféns que estavam em um país islâmico.
Relembrando-me dele e suas questões apocalíticas, imaginei que hoje ele viria com a afirmação: “é o fim-do-mundo, pastor. O que está acontecendo no Brasil é o fim-do-mundo. Neste apocalipse que estamos vivendo, quem seriam as duas testemunhas apocalíticas? E os cavaleiros? O que seriam as trombetas?”
Como era de seu estilo, as perguntas eram retóricas. Vinham acompanhadas das respostas que, na sua livre interpretação, se permitia fazer. Acho que diria que as duas testemunhas são o juiz Moro e o procurador Janot, ou o Teori, que as trombetas que anunciam desgraças são dos delatores premiados, que os líderes do Senado e Câmara são os cavaleiros do Apocalipse, todos trazendo desgraças ao país. Talvez se atrevesse a, considerando certas menções a dias de penúria, fixar a data para a queda definitiva da Dilma. Fiquei pensando em quem ele colocaria como Anti-Cristo e achei que ele tascaria o título ao Cunha. A Besta, com seu temível 666, poderia ir para o Temer, o Lula ou o Renan. Também poderiam ser contemplados com o título o Léo Pinheiro ou o Marcelo Odebrecht. Com certeza diria, por causa da sua visão pré-milenista pré tribulacionista, com toda a ênfase que pudesse: “estamos na grande tribulação, pastor”.
Na manhã desta terça fiquei a pensar como ele harmonizaria suas livre interpretações com a nomeação da ex-deputada Fátima Pelaes para a Secretaria da Mulheres, no que pese ter contra si graves denúncias de desvio de verba; das citações escabrosas quanto ao ex e atual ministro do Turismo, o Henrique Eduardo Alves e, principalmente, com a notícia de que o Janot pediu a prisão do Jucá, do Renan e a prisão domiciliar do Sarney. Talvez ele visse o princípio do fim.
De uma coisa tenho que concordar com o bordão do Joãozinho Fim-do-Mundo: é o fim-do-mundo! Não na sua literalidade, mas na interpretação alegórica de ser algo que nunca se pensou que a coisa pudesse chegar a tal nível de descalabro.
É o fim-do-mundo!
Marcos Inhauser